Movimento inter-religioso e socioambiental reforça o papel das comunidades de fé na Justiça Climática e destaca a Amazônia como prioridade.
Belém/PA, 14 de novembro de 2025 – A Iniciativa Inter religiosa pelas Florestas Tropicais (IRI-Brasil) destacou, durante as atividades da COP30 em Belém, o papel fundamental das comunidades de fé na construção de uma “Ética do Cuidado e da Justiça Climática”, lembrando que a crise ambiental é, também, uma crise de valores e de relação com a Terra. As ações da organização envolveram diálogos com lideranças, exibição de documentário e participação em atos espirituais coletivos.
A atuação da IRI-Brasil na conferência climática da ONU em Belém tem enfatizado a necessidade de integrar a dimensão espiritual e ética aos debates científicos e políticos sobre o clima, priorizando a defesa da Amazônia e o bem viver de seus povos.
Vigília pela terra une fé e ação climática
Um dos pontos altos da participação da IRI-Brasil foi a integração na Vigília pela Terra, evento organizado pelo Instituto de Estudos da Religião (ISER) e diversas entidades religiosas.
O ato, descrito como “um momento simbólico e profundamente espiritual de união entre diferentes tradições de fé em defesa da Casa Comum”, reuniu lideranças religiosas, jovens, comunidades tradicionais e movimentos sociais.
O evento serviu como uma expressão coletiva do “compromisso ético e espiritual com a justiça climática e o cuidado com a criação”, com participantes unindo-se por meio de orações, cantos e rituais.
Isabel Pereira, do Instituto de Estudos da Religião (ISER), destacou a culminância de um longo percurso de mobilização inter-religiosa:
“A gente vem realizando as vigílias inter religiosas pela terra em conjunto com diversas organizações e comunidades de fé de várias regiões do país. E a gente já passou por Brasília, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Natal, Recife, Manaus. Agora a gente chega aqui em Belém, durante a COP30, para finalizar esse percurso em grande estilo aqui na cidade de Belém. E está sendo uma emoção muito, muito, muito grande ver esse evento tão bonito e tão cheio e com tantos parceiros importantes para a gente.”
Reforçando a relevância do diálogo entre diferentes tradições, Maria Eduarda, que representou a rede de jovens latino-americana na Vigília, sublinhou a importância de conciliar fé e ativismo:
“É muito importante estar nesse espaço que mistura justiça climática e espiritualidade, porque é por isso que a gente luta na rede, a gente desenvolve projetos socioambientais sempre vinculados a igrejas locais. Pra gente evangélico, é muito especial estar nesse espaço e comungar com outras religiões, outras expressões de fé, e fortalecer essa luta por justiça climática no meio religioso.”
Amazônia Viva: sensibilização e parcerias
A organização promoveu a exibição do filme Amazônia Viva em dois espaços estratégicos durante a COP30.
O primeiro local foi a Goals House, voltada a lideranças empresariais e socioambientais. A exibição proporcionou uma “experiência imersiva sobre a importância da preservação da floresta e da vida amazônica”, gerando “grande sensibilização” e abrindo oportunidades para “novos contatos e parcerias com atores interessados em fortalecer ações concretas em defesa do meio ambiente e das comunidades amazônicas”, conta Carlos Vicente, coordenador nacional da IRI-Brasil.
Tapiri: o ponto de encontro entre espiritualidade e ciência
O Tapiri Ecumênico e Inter-religioso, onde o filme “Amazônia Viva” também foi apresentado, consolidou-se como um dos principais espaços de reflexão na COP30. Inspirado na arquitetura tradicional amazônica – o tapiri, uma estrutura aberta que simboliza acolhimento –, o local foi criado para promover “o diálogo, a oração e a reflexão conjunta entre diferentes tradições de fé”.
O espaço, que abriga painéis, rodas de conversa, celebrações e rituais, reuniu lideranças de diversas crenças, como religiões de matriz africana, o cristianismo e espiritualidades indígenas. O objetivo principal do Tapiri é, conforme afirmou Carlos Vicente, “integrar a dimensão espiritual aos debates climáticos, reforçando que a crise ambiental também é uma crise de valores e de relação com a Terra”.
A IRI-Brasil atua ativamente neste contexto, unindo “fé e ciência pela preservação do planeta e pelo bem viver dos povos da Amazônia e do mundo”, concluiu Vicente, destacando que a Ética do Cuidado é essencial para nortear as decisões globais sobre o futuro do clima.